Por Nilbberth Silva

Para muitos de nós homens, cozinhar está mais pra martírio do que prazer. Envolve escolher ingredientes no meio do supermercado – um ambiente confuso, cansativo e barulhento – sofrer cheiro de óleo frito, picar, destrinchar, descascar. Às vezes, também envolve cortar os dedos.
Mas, opa, esse post é sobre um bom presente para o dia dos namorados. Pois bem, escolhi o dosador de espaguete Pazzo. A peça foi criada pelo designer Pedro Braga em bambu e alumínio para evitar desperdícios de macarrão. Ela tem uma cara – literalmente, uma cara – engraçada. As peças são limitadas e custam R$ 75,00. Dá para comprar pela página do designer no Facebook ou em algumas lojas, listadas lá.
Mas que cargas d’água tem a ver amor, espaguete e cozinha? Acho um bom presente por que quando a gente se apaixona fica meio açucarado, meio bobo. Até coisas penosas como ir ao supermercado e cozinhar ficam românticas. E achamos graça em conversas triviais ou piadas infames – como o rosto no aparelho criado pelo designer Pedro Braga.
Quem ensina isso é a poetisa Adélia Prado:
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.


Fotos: Divulgação (1 e 2); Lucas Zappa (3).
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